O FIEL AMIGO

Por estes dias, estive em uma igreja que me remeteu a muitos anos atrás. Para ser mais exato, retornei ao ano de 2001, quando compreendi que precisava passar pela confissão pública de fé por meio do batismo nas águas, realizado no dia 15 de novembro daquele ano.

Naquele mesmo ano, em dezembro, fui até essa igreja participar, pela primeira vez, do santo sacramento da Santa Ceia.

No ano seguinte, em 2002, retornei àquele mesmo local, agora com meus 14 anos, para um teste que poderia me oficializar como músico, permitindo que eu atuasse nos cultos das congregações espalhadas pelo Brasil e pelo mundo.

Ainda me lembro daquele dia. Lembro-me do quanto me preparei para fazer o meu melhor. Naquele momento, eu já possuía uma boa bagagem técnica, havia estudado com professores que eram músicos e regentes formados em grandes universidades e, inclusive, já atuava como instrutor de música havia algum tempo.

Logo no início do teste, foi-me solicitada justamente aquela que, para mim, era a lição mais difícil dentre os cinco métodos de violino que eu havia levado. Foi bom. Assim que terminei de executá-la, recebi a notícia de que havia sido aprovado.

Já tranquilo com a aprovação, pediram que eu tocasse um louvor que dizia:

“Fiel amigo eu encontrei, em Cristo Salvador…”

Assim que iniciei, pediram que eu parasse.

Naquele instante, meu coração acelerou. Pensei comigo: “Será que vão voltar atrás na minha aprovação?”

Depois de alguns segundos, o Mestre que me avaliava olhou fixamente em meus olhos e disse:

“Sua posição com o instrumento está perfeita. Sua afinação é impecável. Não há nada a ser corrigido na sua execução técnica. Mas… preste atenção nesta mensagem. Leia.”

Li atentamente cada palavra daquele hino.

Lembro-me de que, ao final, havia uma frase que dizia:

“Sinto em meu coração a virtude do Salvador.”

O Mestre voltou a olhar para mim e perguntou:

— Entendeu o que você deve fazer?

Respondi:

— Ainda não.

Então ele me deu uma lição que me emociona até hoje.

Ele disse:

“Neste louvor, o motivo de você sentir a virtude do Salvador está no fato de você ter encontrado um fiel amigo, alguém que nunca o deixará. Nos próximos anos da sua vida, você passará por situações em que se sentirá sozinho, mas nunca se esqueça do seu Fiel Amigo. Ele jamais o abandonará. É para Ele que você está louvando. Agora, toque para Ele com todo o seu coração e com toda a sua gratidão.”

Que aula foi aquela…

Naquele dia, eu pensava que estava aprendendo a tocar um hino. Hoje entendo que Deus estava me ensinando como atravessar a vida.

Peguei meu violino.

Entreguei todo o sentimento que havia dentro de mim. Utilizei tudo o que conhecia sobre vibrato, técnica de arco e expressão musical. Com toda firmeza, comecei a louvar.

Quando cheguei ao coro que dizia:

“Salvo por Seu poder, salvo por Seu amor, sinto em meu coração a virtude do Salvador.”

Meu coração parecia saltar dentro do peito.

Minha alma glorificava a Deus.

Meus olhos se encheram de lágrimas por tudo aquilo que eu estava sentindo.

Naquele dia, mais do que tocar, o Mestre me lembrou que Davi louvava a Deus com a sua voz. Então pediu que eu tocasse e cantasse da mesma forma e ao mesmo tempo.

E assim foi feito.

Fui aprovado.

Mas o que realmente marcou a minha vida não foi o fato de ter me tornado músico oficializado na Congregação Cristã no Brasil.

O que mudou minha vida foi aquela lição.

Naquele dia compreendi que a música não é apenas som.

A música é a alma sendo colocada diante de Deus, por meio do som.

O tempo passou.

Retornei àquele mesmo lugar, agora em 2026.

Ao olhar para aquele templo, lembrei-me imediatamente do meu Fiel Amigo.

Lembrei-me de que, em 2008, quando fui acometido por um derrame cerebral hemorrágico, esse Amigo não me deixou. Ele permaneceu comigo durante o coma, na UTI e também durante todo o período de recuperação, quando muitos acreditavam que somente um milagre poderia torná-la completa.

Retornei àquele lugar tendo passado por momentos de solidão, de tristeza e por um período de escuridão que hoje compreendo ter sido uma depressão.

Mas, em todos esses momentos, meu Fiel Amigo nunca me deixou.

Escrevo este texto porque sei que tenho muito mais motivos para agradecer do que para reclamar.

E tenho certeza de que não sou o único.

As Escrituras Sagradas nos ensinam que aquele que deseja destruir nossa fé, se não fosse pela misericórdia de Deus, já nos teria tragado vivos.

Mas é justamente dessa misericórdia que hoje sou testemunha.

Esse Amigo não é apenas meu.

Ele pode transformar sua escuridão em luz, suas dúvidas em esperança, sua solidão em companhia e os momentos em que você acredita estar distante de Deus na mais profunda certeza de Sua presença.

Basta entregar a sua vida a Ele e reconhecer que a verdadeira alegria e a verdadeira virtude estão no encontro com o Salvador.

É chegado o momento de fazermos como o servo de Eliseu, que antes enxergava apenas o exército que vinha para destruí-lo, mas que depois do seus olhos abertos viu um exército muito maior que estava ao seu redor para os proteger.

Vivemos uma guerra espiritual que não para, mas, ao lado do Senhor dos Exércitos, somos mais do que vencedores.

Espero sinceramente que ninguém precise passar por tudo o que passei para reconhecer que esse Fiel Amigo está presente ao nosso lado em todos os lugares (ONIPRESENTE), conhece tudo o que nos acontece, inclusive as injustiças que enfrentamos (ONISCIENTE), e possui todo o poder (ONIPOTENTE) para transformar completamente a nossa história por meio de uma única palavra, para honra e glória do nosso Deus.

Não se esqueça: temos muito mais motivos para agradecer e glorificar a Deus do que motivos para nos entregarmos a sentimentos passageiros, que jamais poderão nos oferecer a paz e a alegria permanente que somente Ele pode dar.

Hoje entendo o que aquele Mestre tentou me ensinar naquele dia.

A técnica forma um músico.

Mas é a gratidão que transforma a música em louvor.

Glória a Deus!

SSISTA MEUS COMENTÁRIOS SOBRE ESTE ARTIGO, AQUI: https://youtu.be/g1R05eOCOn0

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