ALÉM DA ACADEMIA: A FÓRMULA PARA UM EMAGRECIMENTO SAUDÁVEL

Artigo da série sobre Qualidade de Vida

 

Nesta série de artigos sobre os pilares da qualidade de vida, meu objetivo é apresentar informações relevantes que possam transformar vidas. Nesta semana não é diferente, pois realizei uma entrevista com o nutricionista Fábio Gimenez, que vale a pena ser parcialmente redigida, dado o caráter relevantíssimo das informações compartilhadas. Antes, gostaria de apresentar o entrevistado. Fábio é atualmente coach de diversos atletas de fisiculturismo e especialista em emagrecimento. Além disso, possui um histórico como atleta de fisiculturismo, tendo sido campeão paulista em 2010, 2012 e 2021, e alcançado o top 5 do Brasil nos mesmos anos.

Agora vamos a parte destacada da entrevista:

As pessoas acham que começar a treinar e adotar uma alimentação mais saudável é suficiente para alcançar os objetivos que buscam. No entanto, esses objetivos muitas vezes não são fáceis de atingir. Aí entra a importância da nutrição e, principalmente, do aspecto psicológico. Como abordar isso? Como conversar com as pessoas? Eu trago do esporte esse conhecimento sobre como dialogar e propor reflexões para que elas entendam que precisam fazer muito mais do que apenas treinar e comer bem para alcançar seus objetivos, sejam eles modestos ou mais ambiciosos.

As pessoas precisam participar ativamente desse processo, passando por ele com dedicação. Não existe sucesso sem sacrifício, seja em qualquer área da vida — financeira, familiar ou física. No caso da saúde, esse sacrifício envolve atividade física e disciplina. 

Muitas pessoas começam na academia com entusiasmo, mas, por treinar todos os dias, não aguentam o ritmo e desistem. O descanso é importante?

O descanso é importante, sim. Mas uma pessoa que está começando dificilmente chegará ao nível de desgaste de alguém em um estágio avançado. Então, não é uma verdade absoluta que treinar todos os dias seja prejudicial. Uma pessoa pode se adaptar treinando diariamente e se sentir bem, assim como pode treinar três ou quatro vezes por semana e ainda assim sentir cansaço ou dores. Não há uma regra fixa; cada pessoa responde de forma diferente e precisa se adaptar ao que funciona melhor para ela. Por isso, o acompanhamento de um nutricionista e de um professor de educação física é essencial. Essa comunicação permite oferecer um suporte mais completo ao paciente, alinhando treino, alimentação e rotina diária.O importante é entender que a atividade física é necessária e faz uma diferença enorme. Treinar pouco pode limitar os resultados. Costumo conversar com pacientes que treinam duas ou três vezes por semana e acham que isso é suficiente. Eu explico: o ideal é treinar pelo menos cinco vezes por semana. O gasto calórico total é calculado com base na quantidade de atividade física. Se a frequência é baixa, o déficit calórico será pequeno, e os resultados serão lentos, exigindo mais tempo. Esse comprometimento é fundamental para que o corpo, metabolicamente, responda de forma eficaz ao objetivo desejado.  

Perfeito! Vou compartilhar um relato pessoal. Com 20 anos, sofri um AVCH e estive, digamos, no “vale da sombra da morte”. Fiquei um tempo em coma e passei por um processo de recuperação na UTI. O primeiro exercício que o médico recomendou foi natação, focada na respiração. Após uns seis meses, em uma consulta com um pneumologista, ele disse: “Sua respiração está boa, você está pronto para o próximo passo: a academia”. Ele explicou que a academia trabalha todos os músculos de forma geral, enquanto a natação tinha um foco maior na respiração. Até hoje, não entendi bem essa transição. A academia seria um treino mais intenso?

A musculação é, de fato, uma prioridade para todas as pessoas, porque é o único esporte que promove ganho de massa muscular e perda de gordura ao mesmo tempo. Nenhum outro esporte oferece isso. A massa magra é essencial para a saúde, especialmente na terceira idade. A partir dos 30 anos, começamos a perder massa muscular naturalmente, e esse processo se intensifica a cada década. Pessoas que não praticam atividade física, como nossos pais ou avós, muitas vezes chegam à terceira idade com dificuldades de locomoção e mobilidade por falta de massa magra. Por isso, o médico recomendou a musculação como segunda fase, porque ela é fundamental para a saúde, longevidade e prevenção de doenças metabólicas. Um corpo musculoso consome mais calorias, já que o músculo é um tecido “gastador”. Nosso corpo, desde a época das cavernas, foi programado para economizar energia, armazenando gordura como reserva. Hoje, com a abundância de alimentos e a modernidade (carros, elevadores, escadas rolantes), gastamos menos energia, o que torna a musculação ainda mais importante.

Entendido! Isso é um puxão de orelha até para mim, que hoje estou mais próximo da calistenia do que da academia, apesar do meu amigo Robson insistir para eu voltar a treinar regularmente. Mas, voltando ao tema, muitas mulheres que querem emagrecer me perguntam: qual é o primeiro passo? É a atividade física, a alimentação? Qual conselho você daria para quem busca um emagrecimento saudável?

O primeiro passo é a musculação, especialmente para mulheres. Há uma crença de que o exercício aeróbico queima mais gordura, mas isso não é verdade. A musculação queima mais gordura e é fundamental, enquanto o aeróbico é um complemento para o gasto calórico e a saúde cardíaca. As mulheres, por questões hormonais, não ganham massa muscular tão facilmente quanto os homens, então a musculação é ainda mais importante para elas. Além disso, a alimentação precisa estar alinhada ao treino. Vejo muitas pessoas que treinam há anos, mas não evoluem porque a alimentação não está ajustada. Elas podem treinar muito, mas, se comem grandes quantidades ou alimentos inadequados, não alcançam o déficit calórico necessário para emagrecer. Para quem quer ganhar massa muscular, o desafio é ainda maior, porque ganhar músculo é mais difícil do que queimar gordura.Outro ponto importante é a sarcopenia, que é a perda de massa muscular. Hoje, vemos mulheres com 30 anos já sarcopênicas (perda progressiva de massa, força e função muscular), o que dificulta o emagrecimento porque a taxa metabólica basal fica muito baixa. Nesses casos, o foco inicial deve ser o ganho de massa muscular, mesmo que isso envolva um pequeno aumento de gordura temporário, para depois ajustar a estratégia para o emagrecimento. Estratégias como inibir o apetite sem orientação podem levar à perda de água e músculo, não de gordura, o que é prejudicial. Cada paciente precisa de um acompanhamento individualizado, considerando seu momento metabólico, hormonal e rotina.

Perfeito! Você tocou em pontos essenciais. Na gestão pública, usamos um dado da ONU que diz que, para cada 1 real investido em esporte, economizamos 5 reais em saúde. Isso se aplica à nossa vida: investir em atividade física e alimentação de qualidade economiza em remédios e melhora a qualidade de vida. Como cristão, acredito que plantamos o que colhemos, e cuidar do corpo é colher saúde. É triste ver um pai que não consegue brincar com o filho ou fazer atividades com a esposa por falta de condicionamento. Fábio, muito obrigado por essa entrevista. 

Agradeço a oportunidade! Gosto de falar sobre isso porque é essencial conscientizar as pessoas. Doenças metabólicas, como colesterol alto, diabetes e hipertensão, estão 97% relacionadas ao estilo de vida, e apenas 3% à genética. Um estilo de vida saudável, com atividade física, alimentação adequada e descanso, pode prevenir essas condições. O esporte ensina disciplina e persistência, e um corpo saudável reflete comprometimento.

Como vocês puderam ver na entrevista, não faltam vantagens para você começar neste momento a cuidar mais da sua saúde, fazendo atividade física regularmente e ajustando sua alimentação, para obter uma alimentação saudável.

Esta entrevista irá ao ar amanhã, sábado (27) às 18h no Programa Fala Professor, aguardo vocês lá: https://youtu.be/9Aso6uAXZ-U?si=AaU62-mxEmtF4USg 

Sigam: 

@nutrifabiogimenez

@professorsamuelreis 

@falaprofessorsamuel 

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