Ontem, após uma aula sobre Direitos Humanos, fui questionado por algumas alunas sobre o que eu pensava a respeito do racismo estrutural. A partir disso, comecei a mostrar o quanto ainda carregamos, em nosso cotidiano, atitudes que, mesmo inconscientes, refletem a herança cultural de um país marcado por séculos de escravidão.
Ainda hoje percebemos um forte dualismo social entre famílias historicamente privilegiadas e famílias oriundas de um povo mais sofrido, que continuam vivendo, em grande parte, nas periferias e enfrentando dificuldades estruturais.
Defendi para elas que qualquer tipo de preconceito é resultado de uma sociedade desequilibrada. Quando falamos de sustentabilidade, precisamos compreender que ela não envolve apenas questões ambientais, mas também equilíbrio social e econômico. Quando esse triângulo se rompe, surgem problemas como desigualdade, intolerância e preconceito.
Ao expor minha opinião, perguntaram o que eu acreditava ser necessário para transformar esse cenário. Como já não estávamos mais em um momento formal de aula, dei uma resposta pessoal: acredito que a solução para grande parte desse desequilíbrio social passa por dois pilares fundamentais — educação e Bíblia.
Começo pela Bíblia porque nela encontramos princípios capazes de transformar mentalidades. A fé leva as pessoas a compreenderem a chamada lei da semeadura e a acreditarem que Deus possui poder para mudar realidades, como vemos nas histórias de Davi, José e tantos outros personagens bíblicos.
Além disso, a fé desperta esperança e fortalece a perseverança. Quando compreendemos a importância da união entre oração e ação, passamos a acreditar que, mesmo diante das injustiças e preconceitos, existe a possibilidade de construir um futuro melhor.
A educação, por sua vez, é o processo por meio do qual adquirimos conhecimentos e habilidades que ampliam horizontes e oferecem oportunidades de transformação social. Uma sociedade mais educada tende a reduzir desigualdades e combater preconceitos de forma mais consistente.
Pessoas que seguem princípios cristãos carregam consigo valores como amor ao próximo, empatia e temor a Deus, o que contribui para relações mais humanas e respeitosas.
Além disso, o acesso ao conhecimento e à qualificação profissional permite que muitas pessoas consigam romper ciclos históricos de pobreza e criar novas perspectivas para suas famílias, mesmo em uma sociedade marcada por injustiças.
Falo sobre mudança de mentalidade porque atuo como professor e gestor de escola pública há pelo menos duas décadas. O que frequentemente percebo em escolas de periferia é um cenário de poucos sonhos e baixa expectativa em relação ao futuro. Muitas vezes, quando perguntamos aos alunos quais são seus sonhos, alguns até conseguem responder, mas não demonstram acreditar verdadeiramente que podem alcançá-los.
Ao conversar com os pais, é comum encontrar um discurso focado apenas na necessidade de trabalhar e garantir renda, sem o incentivo à construção de um propósito maior ou à luta pelos próprios sonhos. Isso acaba limitando o horizonte dessas crianças desde cedo.
Percebo que falta uma transformação de mentalidade em parte das comunidades mais vulneráveis, e considero isso essencial para a mudança da realidade do nosso país.
Por fim, também acredito que vivemos um cenário crescente de desesperança e divisão social. Em muitos discursos contemporâneos, percebe-se uma tentativa de desconstrução de pilares tradicionais da sociedade, como fé, família e relações humanas. Minha preocupação é que, quando uma sociedade perde suas referências fundamentais, ela se torna mais vulnerável a crises morais, emocionais e espirituais.
