O contexto também educa: estamos percebendo o ambiente que alimenta nossa mente?

Leia este artigo, acompanhando minhas explicações, no vídeo: https://www.youtube.com/live/pzDIAoRu1T8?si=NvjGKtFiWI97st8W

Estamos falando sobre a crise de identidade que, infelizmente, assola nossa sociedade e um dos resultados deste momento, potencializado pelo efeito brain rot (cérebro apodrecido), advindo do uso excessivo das telas, é justamente a perda do pensamento crítico. O objetivo do Momento Inteligência Além do CHA nunca foi apresentar receitas prontas, mas provocar reflexões para que o leitor comece a observar e aprender com os sinais que nos são apresentados no cotidiano.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo nesta semana.

Há um ambiente que frequento regularmente e que passou a me despertar uma inquietação. Não era algo evidente, tampouco sabia explicar exatamente o motivo. Apenas percebia que aquele contexto produzia em mim um sentimento que não combinava com o propósito pelo qual eu estava ali. Prometo que, ao final deste artigo, vocês entenderão sobre qual ambiente estou falando.

Antes, porém, preciso retornar à página 51 do meu livro Inteligência Além do CHA, onde, no artigo A música como alimento da alma, apresento uma citação de Platão que considero fundamental para esta reflexão:

“A música é um instrumento mais poderoso do que qualquer outro, porque o ritmo e a harmonia encontram o caminho para o interior da alma.”

Essa frase passou a fazer ainda mais sentido quando comecei a observar algo que talvez muitos de nós façamos sem perceber.

Também quero trazer para esta reflexão a Psicologia das Cores, amplamente utilizada por arquitetos, psicólogos, psicanalistas e tantos outros profissionais, justamente porque compreende-se que o contexto comunica e desperta sensações.

Para este artigo, detenho-me em duas cores.

A primeira delas é a cor preta. Muitas vezes ela é associada ao terror, à tristeza ou à solidão. Entretanto, ela também comunica seriedade, autoridade, autoestima, autoconfiança e sofisticação. Não por acaso, grande parte dos teatros utiliza o preto como cor predominante. Enquanto o ambiente permanece escuro, um foco de luz direciona naturalmente nossa atenção para o palco, favorecendo a absorção daquilo que está sendo apresentado.

A segunda é a cor vermelha, talvez uma das mais facilmente compreendidas pela população. Ela comunica energia, paixão, intensidade, impulso e, em determinados contextos, também representa perigo e limite. Basta lembrarmos do semáforo: diante da luz vermelha sabemos que é necessário parar.

Neste momento alguém pode estar pensando: uma cor ou uma música seriam capazes de determinar o comportamento humano?

É evidente que não.

O ser humano não é conduzido como um robô.

Entretanto, há um ponto sobre o qual praticamente todos os estudiosos da educação concordam: o contexto influencia profundamente nossa forma de aprender e também a cultura que construímos em determinado ambiente. As cores predominantes, a iluminação, as músicas, as relações entre as pessoas e tudo aquilo que compõe aquele espaço vão formando, pouco a pouco, sentimentos que passam a fazer parte da nossa experiência naquele lugar.

Enquanto refletia sobre isso, assisti a um episódio do podcast Eu Acredito, no qual o Pastor Israel Santos falava sobre aquilo que denominou “música mundana”. Em determinado momento, afirmou que determinadas músicas acabam abrindo espaço (portas) para sentimentos que não gostaríamos de cultivar dentro das nossas casas. Muitos podem considerar essa afirmação radical. Entretanto, quando retorno à reflexão de Platão, percebo que ela merece, no mínimo, ser pensada.

Foi então que compreendi o ambiente que vinha despertando minha atenção.

A academia.

Antes de prosseguir, faço questão de deixar claro que considero a prática de atividade física extremamente importante. Cuidar do corpo também faz parte da responsabilidade que temos diante da vida que Deus nos concedeu.

Entretanto, ao visitar diferentes academias, comecei a perceber um padrão. Em grande parte delas predominam justamente as cores preta e vermelha. Também observei que a trilha sonora costuma ser composta por músicas eletrônicas, marcadas por batidas repetitivas e intensas.

Não encontrei estudos suficientes para afirmar cientificamente todas as percepções que tive durante essas observações. O que apresento aqui nasce da experiência de alguém que passou meses observando atentamente esses ambientes. Minha percepção é que essa combinação entre cores, iluminação, ritmo e repetição das batidas favorece um estado constante de excitação. Também comecei a perceber que poucas pessoas parecem refletir sobre as mensagens presentes nas letras daquilo que estão ouvindo.

Percebam que não estou afirmando uma verdade absoluta. Estou compartilhando uma experiência que despertou em mim o desejo de pensar criticamente sobre algo que até então eu apenas aceitava como normal.

Foi então que resolvi fazer um teste.

Sem mudar de academia.

Sem criticar quem estava ao meu lado.

Sem criar qualquer regra.

Levei apenas um fone de ouvido com bom isolamento acústico e substituí a música ambiente por hinos orquestrados e algumas composições clássicas presentes na minha playlist.

O resultado me surpreendeu.

Passei a me concentrar muito mais nos exercícios. Minha atenção ficou voltada para a execução correta de cada movimento, minha mente permaneceu mais tranquila e tive a impressão de que minha recuperação entre uma série e outra se tornou mais rápida. Ao final do treino, percebia que saía daquele ambiente em paz.

Repito: não se trata de um estudo científico, mas de uma experiência pessoal. Entretanto, foi uma experiência suficientemente significativa para despertar uma reflexão.

Percebi que eu não precisava mudar de ambiente para proteger minha mente; precisava apenas mudar aquilo que alimentava meu interior enquanto permanecia naquele ambiente.

Talvez alguém considere tudo isso exagero.

Mas aqui volto à Psicanálise.

Se utilizamos a música como um dos caminhos para acessar conteúdos do inconsciente, por que não refletirmos sobre aquilo que ouvimos diariamente? Se reconhecemos que o ritmo e a harmonia podem acessar lembranças profundas, por que deixaríamos de questionar quais sentimentos estamos alimentando sem sequer perceber?

É justamente neste ponto que retorno ao tema do pensamento crítico.

Vivemos uma época em que quase tudo é aceito sem questionamento. Poucos observam, poucos experimentam e poucos perguntam o porquê. A maioria simplesmente reproduz comportamentos porque “todo mundo faz”.

Mas será que o cristão foi chamado para viver dessa maneira?

As Escrituras nos lembram das palavras de Cristo:

“Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.” (João 14:26)

Tenho convicção de que todos aqueles que verdadeiramente entregaram suas vidas a Cristo experimentam momentos em que o Espírito Santo produz uma inquietação interior. Não falo aqui de criar doutrinas nem de generalizar comportamentos. Falo da necessidade de permanecermos vigilantes quando algo começa a incomodar nossa consciência.

Também me lembro das palavras do apóstolo Paulo:

“Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm.” (1 Coríntios 6:12)

Percebam que Paulo não está proibindo tudo. Ele está ensinando discernimento.

Foi exatamente esse discernimento que procurei exercitar.

Não frequento a academia em busca de um shape. Frequento porque desejo cuidar da saúde que Deus me concedeu para continuar cumprindo a missão que Ele confiou a mim. Se posso cuidar do corpo e, ao mesmo tempo, proteger minha mente e meu espírito, por que não fazê-lo?

Concluo deixando claro que este artigo não pretende convencer ninguém a abandonar a academia. Ao contrário. Acredito que podemos ser luz também nesses ambientes, onde muitas vezes o culto ao corpo acaba recebendo mais atenção do que o cuidado integral do ser humano.

Façam o teste.

Experimentem realizar sua atividade física ouvindo músicas que produzam paz, que elevem sua alma e conduzam seu pensamento para aquilo que é bom. Observem o resultado. Talvez a experiência de vocês seja diferente da minha. Talvez seja semelhante. O importante é não perdermos a capacidade de refletir.

Porque, se na Psicanálise utilizamos a música para acessar conteúdos do inconsciente e Platão afirmou que o ritmo e a harmonia encontram o caminho para o interior da alma, talvez devamos levar essa reflexão mais a sério.

E, para concluir, lembro ainda da orientação presente nas Escrituras:

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida.” (Provérbios 4:23)*

Que possamos continuar cuidando do corpo, da mente e do espírito, sempre atentos à voz do Espírito Santo, que nos guia em toda a verdade. Afinal, o pensamento crítico também é uma forma de vigilância, e vigiar sempre foi uma das marcas daquele que deseja permanecer fiel a Cristo.

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Uma resposta

  1. A Santa paz de Deus.
    Que maravilhosa reflexão pura e veraz verdade,alimentar cuidar de tudo que faz parte de nossas vidas.
    Somos luz aonde estivermos somos praticantes de uma Fé que Deus nos concedeu através de um preço de sangue.
    Quantas coisas o papai nos fez, ensinou e sempre está prosperando em nossas vidas e aonde estivermos leve a minha paz.

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