Reflexão bíblica
Ainda na lembrança da passagem do filho pródigo, recordo-me agora do irmão daquele que gastou toda a sua herança e que retornava à casa de seu pai em busca de perdão.
Aquele irmão, por um senso de justiça próprio, não aceitou o fato de haver festa para quem havia abandonado o seio e os princípios da família. Ele questionou o pai sobre a justiça de nunca ter recebido uma recepção para si e seus amigos, como a que estava sendo realizada para o seu irmão. No entanto, o pai o lembrou sobre o perdão, e é sob este conceito que quero refletir hoje.
Na oração mais perfeita registrada e ensinada por Jesus Cristo, oramos para que Deus nos perdoe assim como nós perdoamos aos nossos devedores. Na prática, porém, muitas vezes nos esquecemos desta oração e buscamos ser juízes do próximo, portadores de um juízo injusto. Afinal, o único Justo Juiz é o nosso Deus, conforme observado em vários momentos das Escrituras Sagradas.
Todos nós, como sujeitos propensos ao pecado e vivendo em uma guerra constante entre a carne e o espírito, estamos sujeitos ao erro. Nesses momentos, também precisaremos de perdão. Mas, se este nos for dado com o mesmo peso que damos ao nosso próximo, qual será o resultado? Aquele que tem misericórdia alcança misericórdia, mas aquele que busca ser mais “juiz” do que o próprio Criador do universo, o que receberá como resposta ao seu pedido de compaixão?
A cada dia que passa, fica mais claro o prazer do homem em parecer virtuoso, julgador e inerrante. Em um mundo de trevas, esquecemos que estamos muito mais propensos à escuridão do que à luz. Àqueles que ainda não caíram, cabe, além da vigilância constante, a misericórdia para com os que se distanciaram, caíram e se arrependeram de seu mal.
Ao final desta reflexão, convido-os à misericórdia. Oro para que Deus nos dê forças para julgar menos e amar mais, e que a graça de Jesus Cristo nos inspire a amar o próximo como a nós mesmos.



