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Nesta semana fui tocado por uma reflexão que tratava o tempo como o bem mais precioso que temos. Ao me deparar com alguns óbitos de pessoas jovens, ou com a luta de pessoas com muito dinheiro que estão dispostas a “torrar” suas reservas financeiras em busca de alguns meses ou anos a mais de vida, fiquei pensando justamente sobre o valor que damos ao tempo que recebemos.
A verdade é que, toda vez que reflito sobre o tempo, lembro-me do período em que estive em coma. Sobre esse período existem muitos relatos e diferentes experiências, e, no meu caso, a viagem foi bem longa. As experiências que vivi pareciam ter durado anos e, quando retornei à consciência, não acreditava que havia ficado apenas poucos dias naquela condição. Não conheço referências científicas suficientes para afirmar o que acontece com a percepção do tempo durante um período como esse e, por isso, não quero transformar minha experiência em uma explicação científica. Posso, entretanto, falar daquilo que vivi e, a partir da minha própria vivência, afirmar o quanto a nossa noção de tempo pode ser relativa.
Mesmo sabendo que a percepção do tempo pode ser relativa, não há como deixar de considerar o pensamento de que ele é, de fato, o bem mais precioso que temos. E é justamente aqui que está a pergunta que norteia esta reflexão: será que estamos valorizando a maior riqueza que temos?
Costumo dizer que, depois que voltei do hospital como um sobrevivente de um Derrame Cerebral Hemorrágico, passei a valorizar cada minuto de vida. Coisas simples passaram a ser um privilégio. Lembro-me de tentar tirar o “atraso” em tudo, afinal, depois de uma experiência de quase morte, tudo que uma pessoa sonha é viver. Não vou entrar em detalhes sobre tudo que fiz, sobre todas as formações que finalizei e sobre o quanto busquei aprender e viver coisas novas. O que quero destacar é que aquela experiência mudou a maneira como passei a olhar para o tempo. Aquilo que antes poderia parecer comum passou a ter outro significado.
Não espero que todas as pessoas tenham a mesma percepção da riqueza que existe em cada segundo de vida que uma pessoa que, por alguns momentos, esteve praticamente morta pode desenvolver. Mas considero que é um dever meu, neste texto, tentar expressar a principal lição que aprendi: nunca deixe de valorizar a oportunidade de viver. Talvez você não precise passar por uma experiência como a que passei para perceber isso. Talvez seja possível aprender observando a vida, acompanhando as histórias de outras pessoas e entendendo que o amanhã não é uma propriedade nossa. Nós planejamos, sonhamos, trabalhamos e fazemos projetos, mas o único tempo que realmente temos para agir é o presente.
Não há como dissociar o tempo do livre-arbítrio, e digo isso porque, mesmo nos momentos em que vivemos algo que não gostaríamos, temos a possibilidade de perseverar na fé de que, em breve, um novo momento poderá nascer. Por outro lado, muitas pessoas fazem escolhas que podem abreviar seu tempo de vida ou, diante da dor de um momento, pensam em formas de interromper a própria existência. Também existem aqueles que procuram anestesiar a dor por meio de comportamentos que acabam produzindo ainda mais sofrimento. Cabe a nós fazermos boas escolhas, especialmente quando compreendemos que cada escolha também produz consequências sobre o tempo que ainda temos para viver.
É no tempo que também podemos perceber o poder do Deus Criador. As Escrituras nos apresentam uma dimensão completamente diferente do tempo quando afirma que, para Deus, um dia é como mil anos e mil anos como um dia. Há também a descrição que considero especialmente significativa pela dimensão do poder do Criador, registrada no livro de Salmos, quando somos lembrados de que mil anos são, aos olhos de Deus, como o dia de ontem que passou. Diante de um Deus tão poderoso, cabe a cada um de nós fazermos a escolha por crer ou não. Eu creio.
Vejo que aproveitar nosso tempo para o bem também é uma forma de gratidão a Deus. Infelizmente, porém, não é isso que vemos em todas as situações. Não faltam pessoas que, sabendo que determinadas práticas são danosas à saúde e que vícios podem abreviar suas vidas, ainda assim fazem escolhas que caminham para a autodestruição. Outras pessoas, mesmo tendo família, emprego e a oportunidade de viver momentos de qualidade ao lado daqueles que amam, fazem a escolha de colocar em segundo plano aquilo que deveria ser prioridade. E talvez aqui exista uma pergunta importante: o que estamos colocando em primeiro lugar no tempo que Deus nos concedeu?
O exercício de priorização é algo necessário quando tratamos de tempo. Se formos fazer uma autoavaliação utilizando a metodologia SWOT, podemos identificar fragilidades que precisamos superar, forças que podemos desenvolver, oportunidades que podem surgir e ameaças que precisarão de forças para ser superadas. Afinal, não basta ter tempo; precisamos refletir sobre o que fazemos com ele. É uma escolha diária entre tornar nosso tempo mais efetivo ou simplesmente permitir que ele passe sem percebermos o que estamos fazendo com a vida que recebemos.
Como cristão, não há como falar sobre tempo sem lembrar de Eclesiastes 3. E acredito que uma das grandes lições desse capítulo está justamente em nos lembrar de que existe um tempo determinado para diferentes acontecimentos da vida: antes do tempo de sorrir, há um tempo de chorar; antes do tempo de colher, há um tempo de plantar. Poderia dissertar sobre o capítulo inteiro, mas talvez o resumo que faço dele para esta reflexão seja este: sem resiliência, o primeiro momento de tristeza pode significar desistência, quando, na verdade, aquele momento poderia ser apenas uma passagem para um novo momento de alegria. O tempo difícil não precisa definir toda a nossa história.
Talvez seja exatamente por isso que a experiência de ter estado tão próximo da morte tenha mudado tanto a minha percepção sobre a vida. Não quero dizer que aprendi a aproveitar perfeitamente cada minuto, porque continuo sendo humano, continuo tendo minhas limitações, minhas preocupações, meus erros e minhas prioridades que nem sempre estão no lugar certo. Mas aprendi a olhar para a vida com uma gratidão diferente. Um novo dia deixou de ser simplesmente mais um dia. Um novo dia passou a ser uma nova oportunidade.
Não sei se consegui transmitir tudo o que gostaria neste artigo, pois, como disse anteriormente, palavras não conseguem expressar completamente o que um novo dia significa para mim. Eu tive a oportunidade de voltar. Tive a oportunidade de hoje ser pai, esposo, amigo e, diariamente, glorificar a Deus pela oportunidade de viver.
E talvez essa seja a grande reflexão que quero deixar: quanto vale o seu tempo?
Você está usando a riqueza que possui ou apenas esperando o próximo dia passar?
Porque, no final, podemos perder dinheiro e tentar recuperá-lo. Podemos perder objetos e substituí-los. Podemos perder oportunidades e, algumas vezes, encontrar outras. Mas o tempo que passou não volta.

Uma resposta
Boa Noite professor Samuel, uma excelente reflexão, tanto para a vida na perspectiva terrena e espiritual. 🙏