Fui até a exposição Titanic, uma viagem imersiva, e o resultado irei te contar, com imagens disponibilizadas ao final deste artigo.
É difícil encontrar alguém das chamadas gerações X e Y que não tenha, em algum momento, se conectado à história do Titanic, apesar de o navio ter naufragado há mais de 110 anos. A história desta embarcação já resultou em mais de 70 filmes, 150 livros e diversos outros textos e matérias sobre a riqueza de cada nova descoberta relacionada ao naufrágio, transformando o Titanic em um dos maiores símbolos de tragédia da história moderna.
Na primeira sala da imersão, o visitante tem acesso a uma verdadeira aula sobre a construção da embarcação, e mesmo eu não sendo arquiteto nem engenheiro mecânico, a tecnologia apresentada nos faz encantar por cada detalhe da construção, tanto da estrutura quanto da parte mecânica. Tudo é, de fato, muito grandioso. Segundo os dados apresentados nesta sala, o Titanic foi construído por mais de três mil homens, e as condições de trabalho geraram inúmeras reclamações registradas em cartas. A imersão também contextualiza um período em que a migração da Europa para os Estados Unidos era extremamente intensa, sendo que grande parte destes imigrantes vinha da Inglaterra e da Irlanda. As imagens das miniaturas e plantas são realmente fantásticas, e um ponto interessante apresentado pela exposição é que, enquanto o Titanic era construído, uma enorme camada de gelo se soltou da Groenlândia e seguiu em direção ao oceano, em um detalhe quase simbólico diante da tragédia que aconteceria futuramente.
Os últimos momentos antes da partida do navio foram marcados por reparos e questões relacionadas aos oficiais que comandariam a viagem. Inclusive, um dos fatos mais curiosos apresentados durante a experiência é que um oficial removido da viagem inaugural levou, por engano, a chave de um armário onde um binóculo de vigilância estava guardado. A pergunta inevitável surge imediatamente: será que aquele binóculo poderia ter antecipado a manobra que salvaria aquelas vidas? Em Southampton, na Inglaterra, na manhã de 10 de abril de 1912, começou o embarque, e a exposição retrata de maneira muito clara a diferença de tratamento entre os passageiros da terceira e da segunda classe em comparação aos passageiros da primeira classe. Ao meio-dia, o embarque foi finalizado e o Titanic partiu para o mar.
Neste momento da imersão, são apresentadas as dependências de cada classe: acomodações, refeitórios, área para fumantes, sala de leitura, cabine de comando, área das máquinas e diversos outros ambientes, sempre acompanhados por imagens impressionantes que demonstram a grandiosidade e a beleza de cada detalhe daquela que era considerada a maior embarcação já construída. O momento em que é apresentada a colisão entre o navio e o iceberg recebe um toque especial através de um grande telão que recria a aproximação do Titanic até o impacto, trazendo ao visitante uma sensação de tensão crescente. Após a colisão, telões simulam a invasão da água pelos ambientes internos da embarcação, lembrando muito cenas do filme Titanic, além da apresentação de coletes e botes salva-vidas utilizados durante a tragédia.
Próximo ao fim da imersão, o visitante é conduzido a uma espécie de sessão de cinema, apresentada em um enorme telão, que retrata, através de mensagens e imagens do Titanic em alto-mar, o desespero do comandante na tentativa de buscar socorro logo após a colisão. Como músico, preciso ser sincero: a parte que mais me emocionou aconteceu no encerramento da experiência, quando, em uma área dedicada às vítimas da tragédia, me deparei com o violino resgatado de Wallace Hartley, um dos músicos que tocavam na embarcação. O relato apresentado naquele espaço foi, sem dúvida, um dos momentos mais fortes da experiência:
“Mais de 1.500 almas permaneceram a bordo depois que os botes salva-vidas do Titanic partiram. Alguns se lançaram ao mar, enquanto outros ficaram no navio até o último momento possível. Algumas famílias se amontoaram no convés ou em suas cabines, enquanto outros serviram-se de conhaque e aceitaram o inevitável silêncio. Quando as luzes do Titanic começaram a piscar, o padre Thomas Byles reuniu um grupo para fazer a última oração, enquanto a orquestra do navio tocava seu último hino: ‘Mais Perto, Meu Deus, de Ti’.”
Partiram louvando e, certamente, em paz, acreditando que o lugar que os esperava seria um lugar de Paz. Enfim, trata-se de uma experiência extremamente marcante, que recomendo para aqueles que desejam mergulhar em uma das histórias mais impactantes da humanidade. Para quem está distante do Shopping Eldorado, deixo aqui algumas imagens que fiz durante esta experiência: [https://drive.google.com/drive/folders/1gz_8yVhpwcJFmfRuQxk2XMbHGVr3B_lv?usp=sharing](https://drive.google.com/drive/folders/1gz_8yVhpwcJFmfRuQxk2XMbHGVr3B_lv?usp=sharing)
