O VENENO QUE ROUBA A ALEGRIA

Por Jornalista Thalita Nunes
Já ouviu o ditado popular que diz que a inveja mata? 

Apesar de parecer exagero, essa é uma realidade inegável. Caro leitor, sabia que, segundo a biblía, o primeiro assassinato da história foi motivado pela inveja? Gênesis 4:5 mostra que a inveja se manifestou porque Caim viu em Abel alguém melhor que ele. Esse sentimento o cegou e, consequentemente, ele optou por matar seu irmão. Sim, a inveja mata.

Suas raízes podem surgir por várias questões, como bens materiais (carros, casas e dinheiro) ou mesmo características pessoais, como ser alegre, carismático e bem relacionado. A questão é que esse sentimento pode começar pequeno, mas se não cortado pela raíz, é capaz de corroer uma pessoa de dentro para fora. 

Talvez o grande desafio seja admitir que estamos sendo tomados pela inveja. Afinal,  ela sempre aparece disfarçada de críticas. O inferior não se diz inferior. Não publica nas redes sociais. O curioso é que esse sentimento revela muito mais sobre quem o sente do que sobre o alvo.  O invejoso não consegue se alegrar com o sucesso do outro porque, no fundo, carrega uma raiva silenciosa, uma dor interior por não ser ou não ter o que gostaria. A inveja mata.

Com as redes sociais, esse cenário só piorou. É fácil sentir-se para trás, excluído ou inferior diante de tantas imagens perfeitas. A grama do vizinho sempre parece mais verde. Mas a verdade é que todos enfrentamos lutas, mesmo que elas não estejam estampadas no feed. 

No entanto, há esperança. E esse é o diferencial de quem crê. O cristão encontra, em Cristo, a oportunidade de recomeçar. Somos acolhidos, perdoados e restaurados quando decidimos nos voltar sinceramente a Deus e escolhemos o arrependimento.

Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados, para que venham tempos de descanso da parte do Senhor, e ele mande o Cristo, o qual lhes foi designado, Jesus. 

Atos 3:19-20

Agora vamos ao que interessa. Sabia que é possível parar de reparar no outro e focar no nosso próprio valor, no nosso potencial? Mais do que nos livrar do peso da inveja, a fé nos convida a reconhecer e desenvolver o que temos de melhor. Parar de focar no outro e olhar com carinho para nossa própria história é um passo essencial.

A parábola dos talentos, no livro de Mateus, ilustra muito bem essa ideia. Nela, Jesus conta que um senhor confiou diferentes quantidades de talentos – moedas – a três servos, cada um conforme sua capacidade. Dois deles multiplicaram o que receberam. Mas o terceiro, por medo e negligência, enterrou seu talento e nada fez com ele. O resultado foi duro:

 Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado […]. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado. 

Mateus 25:28-29

Enquanto simplesmente invejamos o próximo, tiramos o foco do que somos e temos, e perdemos a oportunidade de desenvolver nossas habilidades e talentos. Tentamos a todo custo ter a vida do outro. E nessa tentativa perdemos a oportunidade de sermos nós mesmos.

E esse talvez seja o maior castigo da inveja: perder a chance de viver plenamente o que somos, e não conseguir se alegrar nem com a própria vida, nem com a dos outros.

Não existe ninguém igual a você neste mundo. Cada um tem características, experiências e talentos únicos. Ocorre que, no desejo de agradar, deixamos de lado o que somos e nos esforçamos para sermos iguais àqueles que são apontados como ”influencers”, seja pelo que são ou pelo que têm. Que possamos, com coragem e fé, inverter essa lógica. Resgatar quem somos de verdade. Essa é uma jornada que Deus deseja trilhar conosco. Ele nos convida a desenvolver nossos talentos, viver em paz com o que temos e nos tornarmos fonte de luz e bondade para quem está ao nosso redor.

Quando paramos de olhar para o lado e começamos a nos enxergar com os olhos de Deus, somos capazes de celebrar nossas vitórias, fazer as próprias festas e encontrar alegria, não na comparação, mas na autenticidade. Sempre é possível resgatar quem de verdade se é.

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