Por: Thalita Nunes
Nos últimos dias, mais um episódio acendeu o alerta sobre os limites da liberdade de expressão no Brasil, ainda que esse fato tenha recebido pouca repercussão na grande mídia. Refiro-me à agressão sofrida pela jovem líder do partido Novo, em Goiânia, durante um congresso nacional estudantil com presença de universitários de todo o país.
Resumindo os fatos: a participante foi impedida de exercer seu direito de voz, agredida fisicamente e teve o celular quebrado. Tudo isso em um evento que, paradoxalmente, acontece sob um governo democrático.
Infelizmente, esse episódio não é isolado. Ele evidencia uma contradição perigosa: a de defender a democracia enquanto silencia quem pensa diferente. A liberdade de expressão está sendo colocada à prova. E não, não digo isso porque toda opinião seja construtiva, mas porque o direito de expressá-la deveria ser inegociável. Quando começamos a calar vozes, corremos o risco de sufocar justamente aquelas que poderiam fazer a diferença.
Como comunicadora, considero primordial defender a liberdade de expressão. Contudo, a liberdade também vem acompanhada de responsabilidade. E, ao refletir sobre isso, percebo que, antes mesmo de ser uma profissional, sou cristã. Por isso, minha missão é usar a liberdade que tenho para comunicar a verdade e a justiça à luz dos ensinamentos de Jesus. A Bíblia, em Romanos 13:1-2, nos orienta a obedecer às autoridades — o que, convenhamos, nem sempre é uma tarefa fácil. Todavia, como também nos lembra Atos 5:29, nossa lealdade maior deve ser com Deus e com Sua verdade.
Então, deixo aqui um questionamento: atualmente, você se sente intimidado a dizer o que pensa? Ninguém é obrigado a concordar com o outro, mas o direito de falar e defender o que acreditamos é garantido pela Constituição. Não é um luxo, é um princípio democrático.
Dito isso, compartilho aqui a minha opinião pessoal. Como destacou o colunista Hélio Beltrão: “Que a gente não aceite caminhar rumo a uma República Democrática da Brazuela”. A referência não é gratuita. Hugo Chávez, durante seu governo, rotulou opositores como traidores e inimigos do povo. Parece familiar? Depois de sua morte, Nicolás Maduro assumiu o poder e conduziu a Venezuela a uma das piores crises humanitárias da atualidade. Regimes autoritários, vale lembrar, quase sempre surgem disfarçados de defensores da democracia, dos pobres e da justiça social. O problema é que, uma vez instaurados…
Para onde estamos caminhando?
Não, eu não acredito que a solução virá de um governo perfeito no qual devamos depositar todas as nossas esperanças. Salvador e justo, só conheço um, e o nome d’Ele é Jesus Cristo. Mas, enquanto Ele não volta, sigo lutando pela liberdade de expressar aquilo em que acredito, e por um país onde o governo não defenda a censura, nem destrua os valores e princípios que nos sustentam como sociedade.




